Perco-me em tuas linhas… deslizando por ti, substantivo de inúmeros adjetivos. Me pego cedendo aos teus tantos verbos, me fazendo predicado de tantas orações. Por vezes objeto, perdido entre o direto e o indireto, apenas me sinto parte de tuas palavras e me deixo levar. Conjuga-me, flexiona-me, deriva-me… pois de tudo, em tudo que são essas linhas oratórias de vida nossa, somos, os dois, sujeitos de tantas redações mais. Reescreve-me, porque assim não sou um só, me tornando mutável no movimento dos teus lábios.
Porque assim, não sou só meu ou teu. Não sou só tudo, muito menos nada… porque palavras não existem para o altar, como eu também não. Nem tu. Mas faz-me vocativo, ante tudo aquilo que precisardes falar. E no aposto, bota tudo aquilo que eu precisar ouvir.
Amo-te assim, eu, sujeito oculto… por vezes indefinido.






